Violência contra mulheres: 91,8% das agressões nos últimos 12 meses foram testemunhadas, mas quase metade das vítimas não procuraram ajuda

 Dados da 5ª edição do relatório “Visível e Invisível” apontam que a maioria das agressões ocorre dentro de casa e são praticadas por familiares, enquanto a violência física e sexual aumentam no Brasil.


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Por Redação

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revelou dados alarmantes sobre a violência contra mulheres no Brasil. Segundo a 5ª edição do relatório Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, 91,8% das agressões registradas nos últimos 12 meses foram presenciadas por outras pessoas, a maioria delas pertencente ao círculo social ou familiar da vítima.

No entanto, quase metade das mulheres agredidas (47,4%) optaram por não denunciar os casos nem buscar apoio.

O estudo entrevistou 2.007 pessoas com mais de 16 anos, em 126 municípios brasileiros, entre os dias 10 e 14 de fevereiro deste ano. Os dados mostram que 47,3% das testemunhas das agressões eram amigos ou conhecidos das vítimas, 27% eram filhos e 12,4% possuíam outro grau de parentesco. Especialistas alertam que presenciar a violência pode gerar impactos psicológicos profundos, como distúrbios emocionais, cognitivos e comportamentais, além de contribuir para a visão da família como um ambiente inseguro e instável.

“As evidências científicas também sugerem que crianças que testemunham violência doméstica têm maior probabilidade de serem afetadas pela violência na vida adulta, seja como vítimas ou como agressoras”, aponta o relatório.

Violência dentro da própria casa

O levantamento destaca ainda que, na maioria dos casos, os agressores pertencem ao convívio da vítima. Entre os autores da violência contra mulheres, 40% eram cônjuges, companheiros ou namorados, enquanto 26,8% eram ex-parceiros. Pais e mães das vítimas foram responsáveis por 5,2% dos casos, padrastos e madrastas por 4,1%, e filhos e filhas por 3%.

Além disso, o relatório aponta que a casa da vítima é o local onde ocorrem a maior parte dos episódios de agressão, representando 57% dos casos registrados. O estudo também revela que as mulheres que sofreram violência foram submetidas, em média, a mais de três tipos diferentes de agressões.

As formas mais comuns de violência incluem:

Ofensas verbais (31,4%), como insultos, humilhações e xingamentos – um aumento de 8 pontos percentuais em relação a 2023.

Agressões físicas (16,9%), como golpes, tapas, empurrões e chutes – o maior índice desde a primeira edição do relatório. Em números absolutos, isso representa 8,9 milhões de brasileiras agredidas fisicamente no último ano.

Abuso sexual e violência sexual: uma em cada dez mulheres foi forçada a manter relações sem consentimento.

A violência sexual, segundo o relatório, faz parte de um conjunto de cinco tipos de agressão – moral, psicológica, patrimonial, física e sexual – e pode ocorrer inclusive dentro do casamento, configurando o estupro marital.
De acordo com a pesquisa, 37,5% das mulheres sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses, o que equivale a cerca de 21,4 milhões de brasileiras de 16 anos ou mais. Este é o maior índice registrado desde 2017, quando os levantamentos começaram a ser realizados.

Onde buscar ajuda?

Diante do aumento dos casos de violência contra mulheres, especialistas reforçam a importância da denúncia e do acolhimento às vítimas. Em situações de emergência, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Já a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 oferece informações sobre a aplicação da Lei Maria da Penha, além de receber denúncias e direcionar as vítimas para serviços especializados de apoio. O atendimento é gratuito e funciona 24 horas por dia, em qualquer lugar do Brasil, também disponível via WhatsApp no número (61) 9610-0180.

O relatório também destaca a importância de instituições que oferecem suporte psicológico e jurídico para mulheres em situação de violência, reforçando que a denúncia e a busca por ajuda podem ser o primeiro passo para romper o ciclo de agressão.


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