Impostos reduzidos, energia mais barata e ambiente favorável aos negócios impulsionam a migração e transformam o Paraguai em alternativa econômica para brasileiros
O que antes era alvo de piadas e estereótipos passou a se tornar uma escolha estratégica para milhares de brasileiros. O Paraguai vem se consolidando como um dos destinos mais procurados por brasileiros na América do Sul, impulsionado por um conjunto de fatores econômicos que contrastam fortemente com a realidade brasileira.
Segundo levantamento citado pela plataforma Elementar, mais de 263 mil brasileiros já vivem atualmente no Paraguai. A principal motivação é econômica: impostos reduzidos, energia elétrica mais barata, moradia acessível e um ambiente favorável ao empreendedorismo estão entre os principais atrativos.
Durante décadas, o imaginário popular associou o país vizinho quase exclusivamente ao contrabando e à informalidade. No entanto, enquanto essa visão permanecia, o Paraguai avançava de forma silenciosa na modernização de suas leis, na simplificação tributária e na construção de um sistema econômico competitivo, especialmente voltado para atrair investidores estrangeiros e pequenos empresários.
Esse cenário resultou em um crescimento constante do fluxo migratório de brasileiros que, diante da alta carga tributária, do custo elevado de vida e das dificuldades para empreender no Brasil, passaram a enxergar no Paraguai uma alternativa viável para recomeçar.
O movimento, no entanto, não é recente. Suas raízes remontam à década de 1960, período marcado pela construção da Ponte da Amizade e pela assinatura do Tratado de Itaipu, que intensificaram a integração entre os dois países. A partir daí, milhares de brasileiros se estabeleceram em território paraguaio, dando origem à comunidade conhecida como “brasiguaios”.
Hoje, essa migração ganha novos contornos. Não se trata apenas de agricultores ou trabalhadores rurais, como no passado, mas também de empresários, prestadores de serviços, profissionais liberais e famílias inteiras em busca de estabilidade financeira e melhor qualidade de vida.
Especialistas apontam que, enquanto o Paraguai mantém políticas fiscais atrativas e custos operacionais mais baixos, o país deve continuar recebendo brasileiros nos próximos anos. O fenômeno acende um alerta sobre o ambiente econômico brasileiro e reforça o debate sobre competitividade, tributação e oportunidades no país.
